Cadelas no cio não usam lingerie
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Contos, frases e palavras gastas


Domingo, Fevereiro 29, 2004


Depois das tempestades vem o ar puro das certezas


Tem atores que tem a manha de serem geniais, mas sem deixar cortar a veia pop por excelência, bilhete indispensável para um andar mais maneiro. Steve Buscemi é um desses caras, já atuou em filmes pra lá de geniais, Fargo (dos irmãos Coen) que faz um dos seqüestradores desastrados que saem matando a torta e a direita. Steve só virou um ator cult mesmo, quando participou do filme Cães de Aluguel de Quentin Tarantino, mas já possuía um currículo quilométrico. Tarantino queria muito interpretar o personagem Mr.Pink, que seria de Steve Buscemi. Na época Tarantino era um ilustre desconhecido e os produtores não acharam uma boa idéia. Ele não tinha cacife para dirigir e atuar ao mesmo tempo, mas mesmo assim teve uma pequena participação no filme fazendo Mr.Brown, e Buscemi não decepcionou na pele de Mr.Pink. Agora junte Tarantino, Buscemi, Harvey Keitel, Tim Roth, Chris Penn, Eddie Bunker, Lawrence Tierney e Michael Madsen e tenha um show de interpretações.
Vivendo no Abandono, de Tom DiCillo é outra preciosidade que este ator fez. O filme fala do martírio que é uma produção independente de cinema e todo o sofrimento e loucura que um diretor é obrigado a passar para levar adiante o seu trabalho. Problemas com o ego dos atores, com a minguada verba, e infinitos problemas técnicos. Quem você acha que é o diretor da bagaça? Steve Buscemi encarna um diretor apaixonado, tanto pela atriz principal, que nutre um amor platônico, como pela sétima arte. Ele luta para terminar o seu filme. Neste filme Buscemi nos dá mostras do seu talento infinito, e ao mesmo tempo simples e benevolente na condução da composição da sua personagem.
O cara de andar binário que passou boa parte da sua juventude numa cidadezinha, igual a todos as outras cidadezinhas de ar sepulcral, de frente de bibliotecas publicas e seus bosques verdes... Cansado de lamber folhas e folhas dos periódicos de empregos, das chatices das partidas de dominó, de nunca achar um livro de Paulo Leminski pra ler, de nunca trombar um amigo para lhe pagar uma bebida no bar do Jaime em Londrina, porque saiu de casa vestido com uma calça sem bolso, ou porque nunca teve bolso, nunca teve calça e muito menos dinheiro pra por nesse bolso. Esse cara nunca conseguiu um emprego do seu gosto: um trabalho sem segundas-feiras e sextas-feiras. Um trabalho com expediente depois do meio dia e que terminasse as cinco da tarde, nunca depois, porque é sagrado e prazeroso ir tomar umas com os amigos, ou mesmo sozinho. Você pode passar a vida toda dentro dum bar, mas no outro dia, e no outro dia, mais um dia, a ressaca, consciência fudida chutando sua memória inconseqüente de 33 anos. Todos que tem esse perfil autodestrutivo e derrotado de certa forma vai se identificar com o primeiro filme escrito e dirigido por Steve Buscemi e interpretado por ele mesmo Trees Lounge, que no Brasil foi batizado de Ponto de Encontro. O filme conta a história de um cara desiludido com a vida que passa boa parte do seu tempo se embriagando nun bar. Buscemi disse numa entrevista que esse filme é totalmente autobiográfico. Que esse sujeito era ele mesmo, e que a cidade que o filme mostra é a mesma que nasceu. Que esse cara foi ele numa fase de sua vida, antes de ser salvo pela carreira de ator. Segundo Buscemi, todo ator tem um pouco de marginal. Ninguém que queira viver se escondendo por trás de máscaras, vivendo outras vidas pode ser 100% confiável.
Se ele não tivesse virado ator, ele seria esse personagem do filme, Tommy Basilio, descendente de italianos, revoltado e bêbado. O que acalmou Steve, segundo ele, além de ser ator foi a família. No mesmo ano que Trees Lounge foi apresentado em Cannes, Steve estava também em outros filmes em exibição, Fargo, já citado a cima e Kansas City de Robert Altman. Um dos momentos mais gratificantes e emocionantes da sua vida foi os aplausos que recebeu pelo seu filme, que isso recompensava-o de tudo - da fadiga, da ansiedade, por vezes da indecisão. Que agora ele se sentia um cineasta confiante para seguir adiante.

postado por: JOELI PIMENTEL 10:33 PM


Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004

Bom, agora são quatro os locais de vendas do meu livro de contos, "MAIS UM DIA CHUTADO NA BUNDA" (atrito arte editorial - R$15,00), são eles: Livraria Nobel, no Centro Cultural São Paulo, que fica na Vergueiro, 1000 - livraria do Espaço Unibanco, na rua Augusta, 1475 - Livraria da Vila, fica na Fradique Coutinho, 915 e também na Mercearia São Pedro, na rua Rodézia, estes dois últimos na Vila Madalena.

Resposta para um certo cronista que atende pelo nome de Marcelo Mirisola
O livro é uma viagem as pensões de São Paulo, primeiro reduto de quem vem pra Sampa e não tem pra onde ir ou ficar. É uma espécie de radiografia de pessoas esquecidas nos cantos da cidade. Sonhar não é crime, sem a realidade do sonho somos cinzas de derrotas. Não acredito em quem escreve e só vê o mundo pela ótica da preguiça e que é sustentado por uma mulher ou mãe, que nunca levantou sua bunda suja e fez realmente valer suas palavras trabalhando para seu próprio sustento. O escritor Charles Bukowski foi um trabalhador, um operário, que desde cedo soube o que era arrebentar as costas nun empreguinho servil, e depois voltar pro seu quartinho fédido e suas garrafas de vinho vagabundo. Mas nunca precisou recorrer a ninguém, homem feito, bancou seu próprio sustento. Mas o que eu falo nesse livro não é de facil compreensão, só aquele que levanta as quatro e meia da manhã para ir trabalhar, depois de pegar ônibus, metrô e lotação e ainda tomar chuva de balde, como se Deus estivesse mijando nele, saberá do que eu falo. Por isso sonham. Quem trabalha não pensa em suícidio, porque tem mais o que fazer. Viva o imigrante e o migrante, trabalhadores que construíram essa terra du caralho de boa, que é o Brasil. Escritor bom é aquele que não está fora do seu tempo, pode estar sim, além do seu tempo, mas ser um punheteiro de palavras, fazer palavra ser só palavra é um disperdicio que serve só para escritor ler. Esses escritores, geralmente tem um problema patológico, vivem enfiando cabo de vassoura no rabo. Nunca conseguiram fazer uma mulher gozar. Tem ejaculação precoce. E vários problemas de sociabilidade. Querem cagar no Mundo a sua falta de mulher. Porque esses tipos, só conseguem uma mulher pagando uma puta perebenta de rua. Elas não se importam em gozar. Este vazio, esse jeito de ver o mundo é refletido no que esse bosta escreve. O Brasil precisa sim de pensadores, não um idiota burguês que limpa a bunda gorda (de ficar sentado no sofá) e nos fala que morrer é bom. Mais o filho da puta é um covarde, um desses cagão que só impurra as pessoas no abismo. Um carrasco disfarçado. Por ter voz na midia e um punhado de amigos(?)(cooperativismo para bater em quem nem sempre tem voz). A história está repleta desses bundamoles. Por ser amigo ou amante de poderosos, como Heródes. Ele dará a sua cabeça de presente a Salomé.Não importa quem ou o que essa pessoa realmente fez. A verdade é só a inventada por você, a que você quis escutar.
joelipimentel@yahoo.com.br

postado por: JOELI PIMENTEL 11:19 AM


Terça-feira, Fevereiro 03, 2004

TODO MUNDO FALA


Ninguém precisa de aprovação para fazer da sua vida ou arte o que bem entender. Claro que muitas pessoas fazem concessão por dinheiro, prestígio, ou um falso poder. Ou até mesmo por não saber o que fazer, ou por estar com medo.( ai a decisão é sua, ou vai ser um indivíduo fraco pro resto da sua existência, ou vai ser pau mandado pra sempre) A expressão, "todo mundo fala": que você é um ator caricato, que você não passa de um imitador etc, deveria primeiro ser abolida do seu vocabulário. Você já pensou que todos podem estar errados a seu respeito? Na arte, como na vida, começamos imitando alguém, depois viramos uma caricatura daquilo que imitamos, mas se persistirmos, poderemos descobrir a nossa verdadeira arte. Mas se "todo mundo", estiver certo a seu respeito, você pelo menos tentou.
Mas de certa forma, todos que nos cercam, querem dar a sua aprovação ou desaprovação, seja numa simples atitude perante um problema corriqueiro, ou nos impingir o seu jeito de conduzir o nosso trabalho a maneira deles. A espontaniedade, criatividade, só tornará o indivíduo apto a crescer e submergir as tempestades que vão se apresentando no decorrer de nosso aprendizado, quando nós mesmos aprendemos a lidar com eles, mas respeitando o tempo de cada um e a maneira que cada um reage a isso. O que eu tô querendo dizer? Que todos devemos ser egoístas e não dar ouvidos a nenhuma das pessoas que são mais chegadas a nós e ao nosso trabalho? Não, não é isso? Mas devemos tentar mostrar a essas pessoas queridas por nós, que elas são muito importantes em nossas vidas mas, temos que sozinhos acharmos a nossa liberdade, que nos levará a auto - identidade, a tão almejada confiança, acessório fundamental para o nosso aprendizado teatral e também como indivíduos. E o mais importante, a descoberta do seu verdadeiro estilo.
joelipimentel@yahoo.com.br

postado por: JOELI PIMENTEL 2:01 PM


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