Cadelas no cio não usam lingerie

Domingo, Outubro 24, 2004


para o TONHÃO/

Pai, o que aquele homem está fazendo? Ele é louco?
- Ele está fazendo algo diferente. É algo que não vemos todos os dias. É uma arte antiga, a mais antiga de todas.
- É diferente dos programas de tevê dos filmes de cinema, do rádio?
- É a mãe de todas as artes. Ás vezes se confunde com a vida.
- Mas é encantador. Um tanto medieval, mas encantador.
- Ele esta contando a tragédia de ser mortal. Ele nos fala aquilo que vemos, ouvimos, mas, demoramos em entendermos de imediato. Ele faz de sua alma uma lança, que fere, mas nos deixa diferentes. Com uma sensação de conforto. Um ferimento necessário à dor. Entende?
- Pai, o que é dor? Quem a inventou?
- A ganância dos homens. Mas a dor que nos mostra é um tipo único. Um antídoto para esta truculência dos homens.
- Como o que?
- Como a dor que a sua mãe teve para te dar a vida.
- É verdade, eu estou sentindo. A dor é o sofrimento da luz. Mamãe foi quem me disse isso quando eu lhe perguntei do meu nascimento...Pai, ele esta chorando agora?
- É a alegria de ter existido, de ter tido esperanças.
- Ele não existe mais? Vamos embora pai, eu estou com medo.
- Não tenha medo. Não tem mais ninguém aqui, além de nós dois e ele lá no palco. Ele não existe de verdade, é fato. Mas sua arte é a razão (de mesmo depois de morto) de acreditar que tudo que pode fazer pela vida dos outros, ele fez. Acontecimentos que não criou , mas os organizou e deu uma nova luz, um soco no conformismo. Ele agora é um novo ser. Tem horror a autopromoção. Mesmo sendo um celebridade do seu tempo, nunca a usou, nem deu muito valor a isso. O que esse homem fez foi ser o veículo para uma nova era. A que vivemos hoje.
- Pai, que idade ele tem?
- É muito velho. Ele dedicou a sua vida, a sua causa. Ele fez de sua profissão, sua religião, sua comida. Deixou a casa dos pais ainda com pouca idade e perdeu muitos amigos nessa jornada. Sem se alienar. Foi um homem contraditório, não teve medo de mudar. Seu pensamento... Defendeu as causas mais nobres. Morreu várias vezes nos porões das várias ditaduras que combateu. Quando não tinha um palco, ganhou a rua, quando não tinha refletores, coxias, cortinas, vestiu o Sol de manto e a Lua de chapéu e caminhou descalço(como Gandy) e sua voz é ouvida até hoje nos lugares mais inóspitos e distantes. Ele dorme, mas, como um super-homem, esta pronto para ajudar. Mesmo sabendo que governo, imprensa e população não lhe dão tanto valor.
- Pai, o que ele esta fazendo?
- TEATRO. Este homem faz teatro meu filho. TEATRO.


Sábado, Outubro 23, 2004


A última vez que falei com o Tonhão foi num teste na O2. Eu e a Dany procuravamos a rua do estudio e o Tonhão também estava perdido. Depois do teste ele pediu para espera-lo que ele iria embora com a gente. No ônibus (o carro da Dany estava quebrado) ele nos disse que tinha sofrido um acidente de carro uma vez e tinha ficado em coma e quebrado os dentes da frente na batida. Que justamente o que nós atores mais precisamos cuidar são os dentes. A parte da boca, e que no acidente ele machucou logo a boca. Não podia ter cido outra parte? disse ele intrigado. Meu velho um grande abraço.


Segunda-feira, Outubro 04, 2004


muito trampo de pesquisa, edição do filme e bebedeiras.. e agora mais velho, passei a idade de cristo entro na idade da razão...


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